Antes de mais nada, quando falamos em combate à dengue em condomínios, síndicos e condôminos devem estar atentos e reforçar os cuidados para combater o mosquito, principalmente durante a época de verão.

A saber, os meses de novembro a maio são considerados o período epidêmico para propagação das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti — transmissor da dengue, zika e chikungunya. Isso acontece porque o calor e as chuvas são condições ideais para a proliferação do mosquito, conforme explica a diretora da Vigilância Ambiental de Balneário Camboriú, Eliane Guedes.

Ainda de acordo com a diretora, Balneário Camboriú registra 567 focos do mosquito espalhados pela cidade. Os bairros mais infestados são Barra, São Judas e Estaleirinho. Até o momento, o município contabiliza dois casos de dengue. Trata-se de um caso autóctone, ou seja, contraído na cidade, e um caso indeterminado.

Dessa forma, a Secretaria Municipal de Saúde fez um levantamento para verificar o índice de infestação do mosquito Aedes Aegypti na cidade. A classificação gerou Alto Risco devido ao quantitativo de depósitos que foram encontrados com larvas do mosquito na cidade.

De fato, para evitar que apartamentos e áreas comuns do prédio acumulem água parada se transformando em criadouros do mosquito da dengue, a vigilância deve ser constante. Por esse motivo, a união dos síndicos, moradores e funcionários é a melhor forma de minimizar a incidência de casos de doenças no condomínio.

Como evitar criadouros de mosquitos da dengue em condomínios

A princípio, o Programa de Combate à Dengue promove a aplicação de inseticida na região que possui casos confirmados, conhecido como “fumacê”. Porém, a responsável por cinco prédios na região central da capital paulista, a síndica profissional Betine Glina, explica que, dentro dos apartamentos, os moradores devem ter cuidado com qualquer tipo de recipiente que acumule água, em especial vasos de plantas e garrafas.

Ainda mais, Betine diz que, durante períodos chuvosos, costuma alertar os moradores em grupos de aplicativos de mensagem para que eliminem possíveis focos do mosquito. “Eu não posso expor ninguém. Mas eu sempre coloco: ‘que tal dar uma verificada nos pratinhos das plantas?’”, acrescenta.

Também, nas áreas comuns, ela orienta aos funcionários para que observem se há acúmulo de água em telhas, calhas e plantas, além de verificar se as caixas d’água estão vedadas.

Da mesma forma, os moradores podem fazer o uso de inseticidas aerossóis, encontrados facilmente nos supermercados. Além disso, o uso do repelente ajuda na proteção contra a doença.

Naturalmente, condomínios residenciais costumam ser locais muito propícios para a proliferação da dengue. Isso porque há uma grande concentração de pessoas e uma diversidade de locais onde o Aedes Aegypti pode se reproduzir.

Então, a principal ação a ser adotada por síndicos e moradores é erradicar locais que concentrem água parada no condomínio. Para isso, a Vigilância Ambiental propõe alguns métodos de prevenção:

  • evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;
  • mantenha lixeiras tampadas;
  • deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  • plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  • trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  • mantenha ralos fechados e desentupidos;
  • lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  • retire a água acumulada em lajes;
  • mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  • evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  • denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  • caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou vírus da zika, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

Cuidados com a dengue legalmente falando

De acordo com, o advogado Sidney Spano, que também atua como síndico profissional, explica que é responsabilidade legal da administração zelar pelo cumprimento das normas de prevenção nas áreas comuns do condomínio.

Ainda diz que “dentro das unidades, o condomínio não pode obrigar os moradores a providenciar a limpeza adequada, apenas pode orientar. A responsabilidade dentro das unidades é de cada morador”, diz Spano.

Porém, o advogado Rodrigo Karpat acrescenta que o condomínio pode notificar e multar os proprietários que, após serem comunicados, mantiverem os focos do mosquito. Todavia, a possibilidade de multa tem que estar prevista na convenção.

Por outro lado, ele afirma que, mesmo nas situações em que o morador insistir em não solucionar o problema, o síndico não pode entrar no apartamento para fazer a limpeza sem sua autorização. Nesse caso, a administração deve acionar as autoridades de saúde ou a polícia ou mesmo entrar com ação judicial.

Assim, se a pessoa tiver contraído a dengue no prédio, os especialistas consideram que seria difícil o paciente obter sucesso processando o condomínio, já que a pessoa teria dificuldade de provar que a picada do inseto realmente ocorreu no prédio e que houve negligência por parte da administração ou de outro morador.

Conscientize os moradores sobre inspeções de rotina nos apartamentos

Segundo dados da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), 90% dos focos da dengue estão nas residências. Esse levantamento demonstra a importância do síndico exigir um maior envolvimento dos condôminos na eliminação dos focos do Aedes aegypti nas residências, conscientizando os moradores sobre a necessidade de tornar a inspeção em casa um hábito semanal.

Por isso, o ideal é que o síndico disponibilize aos moradores e funcionários um material informativo de prevenção contra o mosquito da dengue nos elevadores e quadro de avisos, explicando as boas práticas que devem ser adotadas nas residências e áreas comuns do prédio.

Realize inspeções para evitar água parada nas áreas comuns

Essencialmente, o síndico também deve assegurar que sejam realizadas inspeções regulares para evitar água parada nas áreas comuns do prédio. É importante manter o escoamento de água desobstruído e sem depressões que permitam acúmulo de água nas lajes, calhas e marquises.

Assim, caso o condomínio tenha uma psicina, é preciso redobrar a atenção. Além de realizar o tratamento adequado da água, é necessário guardar em um espaço fechado ou cobrir os objetos que podem acumular água parada, como por exemplo: espreguiçadeiras, cadeiras e guarda-sol.

Igualmente, os brinquedos do playground também devem ser constantemente monitorados para evitar que se transformem em potenciais criadouros do mosquito da dengue.

Do mesmo modo, mantenha os sacos de lixo fechados e em áreas cobertas para que não acumulem água. É recomendado estabelecer um espaço adequado para armazenamento dos resíduos.

Por exemplo, o ideal é que o ambiente escolhido para acondicionamento adequado dos resíduos esteja sempre limpo e fechado para evitar o mau cheiro e a entrada de animais que possam contribuir para o surgimento de doenças. Também é necessário ficar atento à caixa d’água, verificando se está completamente tampada.

Principais sintomas da dengue

Quer dizer, o síndico é o principal responsável pela manutenção do condomínio, devendo ficar atentos sobre as áreas que mais necessitam de atenção e limpeza constantes.

No entanto, é dever de todos os condôminos adotar as boas práticas de prevenção contra o mosquito da dengue em condomínios, tanto em seus apartamentos quanto das áreas comuns do prédio. Também é necessário ficar de olho nos sintomas que podem surgir, caso você seja infectado pelo mosquito Aedes Aegypti. São eles:

  • febre alta, de 39 °C a 40 °C, de início abrupto;
  • dor de cabeça;
  • fraqueza;
  • dores no corpo;
  • dores nas articulações;
  • dor no fundo dos olhos.

Ao perceber os sintomas deve procurar o serviço de saúde imediatamente.

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Retrato da Lanume Weiss, autora do artigo "Prevenção de dengue em condomínios"

Lanume Weiss – Assessora de comunicação Condomeeting

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