Todos sabem que é direito e dever dos moradores se atentarem à gestão do condomínio. Desse modo, participar das assembleias, analisar planilhas, conversas com o síndico e compor votações pode ser essencial para evitar dores de cabeça e possíveis problemas. Como lidar com moradores ausentes na rotina do condomínio.

Numa roda de conversa sobre o tema, o administrador Ricardo Karpat recebeu dois síndicos com perfis e áreas de atuação diferentes. A primeira é síndica na cidade de São Paulo, Vanessa Munis, e o outro consultado é síndico no Rio de Janeiro, Antônio Carlos de Luca. 

Cada vez mais pessoas em condomínios

De acordo com estimativas do Instituto brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, mais de 68 milhões de pessoas moram em condomínios no Brasil. Ainda levando em consideração dados do órgão, nos últimos 35 anos, o número de apartamentos construídos cresceu 321%, um aumento na demanda condominial.

Ainda analisando o constante crescimento do setor, esses números podem aumentar significativamente em pouco tempo.

Portanto, com cada vez mais pessoas fazendo parte da rotina dos condomínios, a convivência e a gestão se tornam desafios cada vez maiores.

Nesse sentido, aumenta os casos de pessoas que nem sequer se interessam pela gestão do condomínio em que vivem, mas, quando submetidas a decisões coletivas de assembleias, por exemplo, se recusam a colaborar. 

Estratégias

Desse modo, o síndico Antônio se posicionou citando o que ele faz para evitar que essas pessoas se ausentem por completo da vida do condomínio. Ele traz uma estratégia:

Eu falo sobre a realidade do condomínio, o que vem sendo feito e a gente prepara as pessoas para futuras reuniões que vão vir, né? Porque eu aprendi dentro dessa profissão que o síndico independente de ser ou não profissional, o que ele tem de melhor é a qualidade da informação que ele passa. O principal triunfo que ele tem”.

Dessa forma, aponta que para instigar uma maior participação nas assembleias, ele deve chamar a atenção dos moradores bem antes. Compartilhando balancetes, informações pontuais. Outro ponto abordado pelo síndico é a acessibilidade das informações. Muitas vezes o condômino acha que entender o que acontece no residencial é algo complexo. Tornar o entendimento mais fácil é dever do síndico.

“Não adianta você levar uma planilha pra uma assembleia que a pessoa não consegue identificar nada. É  fundamental mostrar como é o dia a dia do condomínio e mostrar as coisas que vem fazendo”.

A síndica Vanessa conta que já enfrentou problemas com o descaso de moradores. Ela descreve que, certa vez, uma decisão foi tomada em conjunto numa assembleia a partir de uma enquete aberta ao coletivo.

Desse modo, ela deliberou a decisão com a  maioria dos presentes. Mas, algumas dessas pessoas, que não estavam presentes na assembleia, não gostaram da decisão. 

“E aí então eles começaram a criar casos mandando comunicações no aplicativo do condomínio falando que a gestão não era transparente mesmo depois de uma maioria de moradores querendo a comodidade aprovada em assembleia, feito comunicação, pareceres jurídicos e tudo mais” narra Vanessa.

Como lidar com moradores ausentes na rotina do condomínio

Esse problema enfrentado pela síndica é mais comum do que se imagina. Contudo existem métodos e ferramentas para evitar que pessoas desinformadas e desinteressadas do cotidiano do condomínio interfiram na saúde residencial.

A síndica fala que fazer pareceres jurídicos auxilia bastante e traz maior confiabilidade às assembleias, bem como cita Antônio, que defende a prática do compartilhamento das pautas dia antes com todos os condôminos.

“Daí eu falei pra ele, olha, desculpa, mas primeiro que assim, não sou eu que voto na assembleia. Eu levo os assuntos que são de interesse coletivo pra deliberação em assembleia. Se foi aprovado, é porque foi a vontade da maioria. Se não tivesse sido uma vontade, não teria sido aprovada” finaliza Vanessa Munis. 

Você pode conferir detalhes sobre a troca de ideias no canal da CondTV.

Uesley Durães, Redação Condomeeting com informações da CondTV