As mulheres já entenderam que são capazes de muita coisa.

Ao longo dos anos, lutamos para conquistar o nosso devido espaço em diversas áreas. No campo de administração de condomínios, por exemplo, a participação de mulheres síndicas cresce cada vez mais. Durante muito tempo fomos taxadas de sexo frágil, mas já provamos que essa afirmativa é mais que ultrapassada e contraditória. Sensibilidade não tem nada a ver com fragilidade. Mesmo ao ser sensível em ouvir e cuidar dos interesses e bem-estar dos condôminos, a síndica também tem pulso firme. A mulher é cuidadosa, amável e intuitiva. Com o poder da sua sabedoria, ela tem a capacidade de resolver conflitos de maneira acolhedora. A sua sensibilidade influencia no ato da mediação e, com o seu poder persuasivo, controla os ânimos divergentes de todas as partes.

Quando uma mulher ocupa o espaço que geralmente é do homem, ela recebe uma série de críticas, objeções, barreiras. Porém, usa a sua determinação para impulsionar a força do pensamento positivo e, assim, se superar os desafios. Estudos demonstram como mulheres no poder tomam decisões voltadas ao combate de desigualdades, pela promoção da paz e como em países com paridade de gênero os índices de corrupção são menores.

EFEITOS DA PANDEMIA

Sabemos que elas são as mais afetadas pela falta de políticas públicas, são maioria no serviço de saúde e na linha de frente do enfrentamento ao Covid-19, são as que mais se responsabilizam pelo trabalho de cuidar das crianças, idosos e pessoas especiais.

Com isso, fazem jornadas duplas e até triplas de trabalho. Mulheres são as lideranças mais qualificadas na luta contra o corona vírus. Países como Alemanha, Nova Zelândia, Dinamarca, Bélgica, Islândia e Finlândia têm se mostrado mais eficientes na luta contra a Covid-19.

O que eles têm em comum?

Todos têm mulheres na posição de Governante do Estado.

E estas lideranças estão sendo elogiadas na mídia e nas redes sociais por suas atitudes, bem como pelas medidas que introduziram em face da atual crise global de saúde.

Um artigo recente da colunista Avivah Wittenberg-Cox na revista Forbes as considerou “exemplos de verdadeira liderança”.

“As mulheres estão se colocando à frente para mostrar ao mundo como gerenciar um caminho confuso para a nossa família humana”, escreveu.

As mulheres representam 70% dos profissionais de saúde em todo o mundo.  E vale destacar as mulheres líderes na ciência, como Ester Sabino, Jaqueline Goes de Jesus, Ingra Morales, Flávia Salles e Erika Manuli, esses são os nomes das cinco pesquisadoras da Faculdade de Medicina da USP, dentro do Instituto Adolfo Lutz, que sequenciaram o genoma do COVID-19 em apenas 48h.

A quarentena e suas lições

De um dia para o outro, nos vimos diante da Pandemia Mundial do novo Corona vírus, órgãos como a OMS e Vigilâncias Sanitárias orientam o isolamento e distanciamento social, decretos estaduais e municipais são emitidos, e com isso passa-se a ‘corresponsabilidade’ a gestores de condomínios o gerenciamento de nossas “cidades”.

Sim, tem condomínios que se equiparam a cidades, pelo número de unidades, com suas áreas comuns e de lazer, salão de festas, salão de jogos, espaço gourmet, sauna, quadra esportiva, academia, piscina e o direito de ir e vir. Esses e outros espaços compartilhados entre tantas famílias, cada qual com suas características.

Como liderar diante de tantas medidas novas e de extrema importância que surgiram? As diferenças de opinião sobre o assunto, os diferentes hábitos de higiene, as unidades se adaptando aos estilos home office e homeschooling, exigem um enorme equilíbrio emocional e racional de nós gestores de condomínios.

Cada ação do gestor, deve estar amparada com as Leis que regem um condomínio, porém, prevalece o bom senso nas tomadas de decisões, evitando o abuso de autoridade e mantendo-se o respeito a cada condômino e suas necessidades.

A aproximação dos condôminos diante da Crise


Muitos relatos nas redes sociais e nas mídias demonstram que o Mundo irá mudar, por necessidade, novas demandas e desafios em nossos condomínios surgirão. Se destacarão e se manterão firmes em seus cargos, os gestores que souberam juntar “decretos + orientações + código civil + bom senso + empatia”, a esses muitos frutos terão para colher.

Já li em grupos de WhatsApp da área condominial, diversos relatos descrevendo as ações de solidariedade entre os condôminos que antes mal se olhavam, no empenho em manter os serviços essenciais dos prédios como coleta do lixo e limpeza e higienização das áreas comuns em dia, unindo forças e dividindo as responsabilidades.

Esse resultado de boas ações, trouxe harmonia e amor ao convívio e enfrentamento da Quarentena nos condomínios, especialmente nos residenciais. Claro que nem tudo são flores, e cabe a nossa categoria se unir para que os próximos empreendimentos e, daqui para frente tenhamos mais respaldos em nossas ações.

Novos planos de ação devem surgir, com efeito para as próximas pandemias ou outras situações extremas, medidas simples como assembleias virtuais e plano de contingências, sejam deliberadas em assembleias e incluso nas Convenções. Destaco como estratégia, o uso de ferramentas de inteligência emocional e social para um bom resultado diante de tantos desafios da profissão.

Cuide de sua saúde emocional, física e pessoal, para que possamos enfrentar juntos e sermos sempre mais fortes!  

Texto: Jacqueline Jerônimo – Confraria das Síndicas

Fontes e inspirações: BBC News, @elasnopoder e @maryannemattos.