O velho e famoso ditado “santo de casa NÃO faz milagre”, decididamente não se aplica aos condomínios! O engajamento dos vizinhos tem se mostrado crucial para o sucesso de qualquer projeto e, felizmente, aos pouquinhos, a participação dos moradores está aumentando. É incrível notar como os projetos ficam melhores e mais baratos, quando os próprios condôminos se envolvem e dedicam um pouco de seu tempo e experiência para melhorar o lugar onde vivem.

 A gestão de condomínios está cada vez mais profissional e se tornou uma atividade bastante complexa, que requer a atuação de uma equipe multidisciplinar, composta por advogado, contador, administrador, engenheiro, gestor predial, dentre tantos outros profissionais. Mas, certamente, a engrenagem só funciona direito, com a efetiva participação dos moradores, valendo a máxima que “o olho do dono é que engorda o porco”.

Comissões Temáticas de Trabalho

O segredo de sucesso é a criação de comissões temáticas de trabalho, órgãos de apoio e auxilio ao síndico, formadas por moradores voluntários, com intuito de buscar as melhores soluções, as melhores práticas, os melhores preços. Temas como finanças, segurança, obras e manutenção são os campeões de demanda nas comissões, mas as atividades que buscam integração entre os moradores estão ganhando força e importância, tais como comissão social, de eventos e esporte.

 Ademais, a efetiva participação dos moradores tende a trazer mais lisura e transparência a qualquer processo, eliminando aquela péssima impressão de que há esquemas nas contratações, propinas e favorecimentos. Afinal de contas, não podemos esquecer a péssima e, na maioria das vezes, injusta fama que os síndicos carregam, não raramente comparados a políticos ladrões!!

Participação de moradores pode fazer milagre nos condomínios

 Recentemente, num condomínio com mais de 300 apartamentos, o sistema de aquecimento de água entrou em colapso. Síndica e conselheiros buscaram orçamentos para a solução do grave problema e as propostas beiravam os dois milhões de reais. Em assembleia, foi criada uma “comissão da água quente”, cujos membros estudaram a fundo o tema, ouviram especialistas e, após várias reuniões e assembleias, conseguiram uma solução técnica alternativa, que custou menos de 400 mil reais, um quinto do valor inicialmente estimado.

Um case de sucesso, que gerou uma economia milionária. Noutro condomínio, com sérios problemas de relacionamento e de respeito entre os vizinhos, criou-se uma comissão social, com a árdua tarefa de aproximar os moradores e acabar com os conflitos. Em menos de um ano, festa junina, dia das crianças, campeonato de futebol e um ciclo de palestras e conscientização sobre direitos e deveres foi o suficiente para praticamente zerar as ocorrências disciplinares e aproximar as famílias.

Se há algo a melhorar no condomínio, não adianta apenas reclamar, mas sim comparecer na próxima assembleia, se voluntariar para cooperar, angariar o apoio de mais vizinhos e fazer a diferença.

Dr. Marcio Rachkorski

Advogado Especialista em Condomínios