Um problema invisível nas calçadas das cidades
Existe uma falha estrutural nas grandes cidades brasileiras — e no Rio de Janeiro não é diferente. Uma falha que não aparece nos discursos oficiais, não entra nas prioridades orçamentárias e raramente mobiliza indignação pública: As pessoas estão caindo nas ruas.
Não se trata de uma metáfora. São quedas reais, diárias, evitáveis — provocadas por calçadas quebradas, desniveladas, mal iluminadas, mal projetadas e abandonadas.
Paradoxalmente o cidadão comum se indigna com buracos nas ruas que compromete a vida util do seu automóvel, mas com relação as calçadas criminosas, pouco ou nada se fala.
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Risco maior do que o trânsito
Estudos internacionais demonstram que quedas de pedestres em calçadas geram muito mais lesões do que os ocasionados por acidentes com veículos. Ou seja, a maior ameaça para quem anda na cidade não está no trânsito. Está no chão de suas terríveis calçadas.
No Brasil, a situação é ainda mais grave — porque sequer medimos o problema.
Não há estatísticas consolidadas.
Não há metas públicas.
Não há política estruturada.
Há, sim: improviso, abandono, transferencia de responsabilidade e desigualdade urbana de acordo como cep da região.
Isso não é apenas ineficiência. É negligência.
Impactos sociais e responsabilidade pública
Calçadas ruins não são apenas desconfortáveis. Elas afastam os idosos das ruas gerando mais depressão, dificultam a vida de pessoas com deficiência de locomoção, limitam a circulação de familias, reduzem o fluxo de comercio, impactam na experiência de turistas, comprometem a saúde e aumenta a judicialização.
Uma cidade que impede um caminhar com segurança é, na prática, uma cidade que exclui. Num país como o Brasil que envelhece rapidamente, ignorar isso é um erro estratégico grave.
Cidades que não cuidam de suas calçadas pagam uma conta alta por sua negligência. Grandes cidades como Barcelona, Londres e Nova Iorque já incluiram o cuidado das calçadas em suas politicas publicas.
Transferir a responsabilidade para cada proprietário de imóvel, sem padrão, sem fiscalização e sem coordenação, produziu exatamente o que vemos: um mosaico de improviso, insegurança e desigualdade.
Não existe cidade moderna e inteligente com calçada tratada como problema privado. Calçada é infraestrutura pública. Cabe ao Estado garantir a mobilidade segura de seus cidadãos.
Medir o impacto das calçadas nos cidadãos cariocas e fluminenses deveria ser o primeiro e imediato passo.
Uma cidade que derruba seus cidadãos através de suas calçadas não pode se chamar de inteligente, inclusiva ou sustentável.

Josier Vilar | Presidente da Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ)