A tecnologia aplicada à segurança condominial evolui em ritmo acelerado. Reconhecimento facial, inteligência artificial, aplicativos de gestão, monitoramento inteligente e portarias remotas já fazem parte da rotina de milhares de condomínios brasileiros. No entanto, um dos principais debates da EXPOSEC 2026, maior feira de tecnologia em segurança da América Latina, mostrou que o sucesso dessas soluções vai muito além dos equipamentos.
Realizada entre os dias 1º e 3 de junho, no São Paulo Expo, a feira reuniu especialistas para discutir tendências, inovação e os desafios da segurança moderna. Entre os destaques da programação esteve o painel “Portarias Remotas: A Evolução e a Eficiência dos Serviços e sua Constitucionalidade”, que trouxe reflexões importantes para síndicos, administradoras e gestores condominiais.
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Tecnologia condominial exige participação dos moradores
O debate foi mediado por Selma Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE), e contou com a participação de Guilherme Barbalho, diretor jurídico da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI), José Julio Pereira, CEO de uma das maiores franquias de portaria eletrônica do país, e Ivo Junkes, sócio-diretor de uma das principais plataformas de gestão condominial do mercado.
Embora os especialistas tenham abordado diferentes aspectos do tema, todos convergiram para uma mesma conclusão: a tecnologia, por si só, não resolve os problemas de segurança se as pessoas não estiverem preparadas para utilizá-la corretamente.
Essa reflexão é especialmente relevante para os condomínios, onde a eficiência dos sistemas depende diretamente do envolvimento de moradores, síndicos, administradoras e prestadores de serviços.
Segurança jurídica fortalece avanço das portarias remotas
Outro ponto importante abordado durante o painel foi a consolidação jurídica das portarias remotas no Brasil. Segundo Guilherme Barbalho, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a constitucionalidade desse modelo trouxe mais segurança para empresas, condomínios e investidores que apostam na tecnologia como ferramenta de gestão e proteção patrimonial.
Com respaldo jurídico e soluções cada vez mais modernas, o setor segue em expansão. No entanto, os especialistas alertaram que a simples instalação de equipamentos não garante resultados satisfatórios.
Para que a tecnologia cumpra seu papel, é necessário planejamento, treinamento, orientação dos usuários e definição clara de procedimentos operacionais.
Falhas muitas vezes estão na comunicação e não nos sistemas
Durante o debate, José Julio Pereira chamou a atenção para um problema recorrente nos condomínios: a baixa adesão dos moradores aos protocolos de segurança.
Segundo ele, quando ocorrem falhas em sistemas de portaria remota ou controle de acesso, o problema nem sempre está relacionado à tecnologia. Em muitos casos, as dificuldades surgem pela falta de conhecimento dos usuários, pelo descumprimento de procedimentos ou pela ausência de orientação adequada.
Essa realidade é observada diariamente nos empreendimentos residenciais. Aplicativos de gestão, sistemas de acesso e ferramentas digitais frequentemente possuem funcionalidades pouco exploradas pelos próprios moradores, reduzindo a eficiência dos recursos contratados.
Além disso, regras criadas para aumentar a segurança acabam sendo ignoradas por falta de comunicação clara ou conscientização dos usuários.
Integração entre tecnologia, gestão e moradores é fundamental
Outro destaque do painel foi a visão apresentada por Ivo Junkes sobre a necessidade de integrar tecnologia e comportamento humano.
Para ele, os sistemas devem ser vistos como ferramentas de conexão entre moradores, síndicos, administradoras e fornecedores. O sucesso da gestão condominial depende da participação ativa de todos os envolvidos.
Essa integração é cada vez mais necessária em condomínios modernos, onde a segurança não depende apenas de câmeras, aplicativos ou reconhecimento facial, mas também da colaboração coletiva.
Síndicos precisam comunicar procedimentos de forma eficiente. Administradoras devem orientar os usuários. Moradores precisam seguir protocolos de acesso e segurança. Prestadores de serviço devem garantir suporte adequado e treinamento contínuo.
Quando um desses elementos falha, o sistema como um todo perde eficiência.
O futuro da segurança condominial passa pelas pessoas
As discussões da EXPOSEC 2026 reforçaram uma mensagem importante para o mercado condominial: a tecnologia continuará evoluindo, trazendo soluções cada vez mais inteligentes, automatizadas e eficientes.
No entanto, nenhuma inovação será capaz de substituir a importância da comunicação, do engajamento e da conscientização das pessoas.
Nos condomínios, a segurança é resultado da combinação entre tecnologia, processos bem definidos e participação ativa dos moradores. Equipamentos modernos são fundamentais, mas seu verdadeiro potencial só é alcançado quando todos compreendem seu papel dentro do sistema.
Por fim, mais do que investir em novas ferramentas, os condomínios precisam investir em informação, treinamento e cultura de segurança. Afinal, a tecnologia funciona. O grande desafio continua sendo fazer as pessoas se conectarem e colaborarem.
Cleuzany Lott | Advogada condominial
