Entre oliveiras centenárias, espécies frutíferas, pedras esculturais e debates sobre o futuro das cidades, um encontro promovido na HARA Árvores, em Santa Catarina, reuniu arquitetas, engenheiros, paisagistas e profissionais multidisciplinares para discutir temas ligados a paisagismo, urbanismo, sustentabilidade e qualidade de vida.

A iniciativa promoveu uma imersão sobre arquitetura contemporânea, biodiversidade urbana, biofilia e planejamento urbano sustentável, reforçando assim a importância da integração entre natureza e espaços construídos.

O encontro trouxe reflexões sobre como cidades, condomínios e empreendimentos privados podem contribuir para ambientes mais equilibrados, resilientes e humanos.

Paisagismo e urbanismo ganham papel estratégico nas cidades

O encontro foi conduzido pela engenheira ambiental Patrícia Rodrigues, consultora parceira da CONDOCASA na área de sustentabilidade, que destacou a importância da atuação multidisciplinar no desenvolvimento urbano contemporâneo.

Segundo Patrícia, o objetivo foi promover conexões entre profissionais de diferentes áreas para ampliar o debate sobre cidades mais inteligentes, sustentáveis e preparadas para o futuro.

Participaram arquitetas, engenheiras, paisagistas e especialistas ligados a áreas como retrofit de edifícios, interiores, acessibilidade, clima, meio ambiente e experiência dos espaços.

Na área da engenharia, o encontro também contou com a participação do engenheiro Del Shappo, profissional com ampla experiência no desenvolvimento urbano de Balneário Camboriú e na evolução da cidade ao longo das últimas décadas.

Natureza, biodiversidade e qualidade de vida no centro das discussões

Ao longo da visita, os profissionais debateram temas como:

  • biodiversidade urbana;
  • conforto ambiental;
  • cidades resilientes;
  • biofilia;
  • valorização imobiliária;
  • sustentabilidade;
  • qualidade de vida nos espaços urbanos.

Embora as oliveiras centenárias tenham chamado atenção pela imponência e presença cênica, outro tema importante do encontro foi a reflexão sobre o equilíbrio entre espécies exóticas e vegetação nativa dentro do paisagismo contemporâneo.

A proposta discutiu como árvores maduras, áreas verdes e microecossistemas urbanos impactam diretamente o conforto térmico, o bem-estar emocional e a experiência cotidiana das pessoas nas cidades.

Além disso, a proprietária da HARA também apresentou áreas compostas por espécies frutíferas capazes de atrair pássaros e colaborar com o bioclima local, reforçando um conceito de paisagismo que vai além da estética.

Arquitetura contemporânea precisa criar cidades mais humanas

O engenheiro agrônomo Ezequiel Manenti destacou durante o encontro que os espaços urbanos precisam evoluir para além da funcionalidade e da aparência visual.

“Os espaços urbanos do futuro precisam ir muito além da estética e da funcionalidade. A arquitetura moderna tem o desafio e também a responsabilidade de criar ambientes que promovam bem-estar, conexão humana e equilíbrio com a natureza”, afirmou.

Segundo ele, o desenvolvimento das cidades exige projetos mais conscientes e integrados à sustentabilidade.

“Hoje, já não se fala apenas em construir cidades, mas em desenvolver espaços mais inteligentes, sustentáveis e preparados para oferecer qualidade de vida às pessoas”, destacou.

Ezequiel também ressaltou o papel estratégico de arquitetos, engenheiros e paisagistas na transformação urbana.

“Projetos que valorizam áreas verdes, integração entre ambientes e soluções sustentáveis deixam de ser tendência para se tornarem necessidade. A presença da natureza dentro dos centros urbanos contribui diretamente para a saúde física e mental, além de tornar as cidades mais agradáveis, humanas e resilientes”, completou.

Condomínios e empreendimentos influenciam diretamente o desenho urbano

As discussões também abordaram como condomínios e empreendimentos privados passaram a exercer influência direta no desenvolvimento urbano das cidades.

Segundo os participantes, o paisagismo contemporâneo deixou de ser apenas um elemento ornamental e passou, portanto, a funcionar como infraestrutura ambiental urbana, contribuindo para:

  • conforto térmico;
  • presença de fauna urbana;
  • convivência coletiva;
  • sensação de pertencimento;
  • experiência sensorial dos espaços.

A paisagista Angela Liz destacou a importância de ampliar o olhar sobre o papel do paisagismo dentro das cidades.

“O paisagismo contemporâneo não pode ser tratado apenas como composição ornamental. Ele precisa ser entendido como ferramenta de saúde urbana, permanência e conexão das pessoas com os ambientes”, afirmou.

Integração entre arquitetura, paisagismo e sustentabilidade

Outro destaque do encontro foi a presença de pedras esculturais, árvores centenárias e elementos naturais tratados como verdadeiras obras de arte vivas.

Dessa forma, a proposta reforçou a conexão cada vez maior entre arquitetura, urbanismo, paisagismo e sustentabilidade na criação de espaços contemporâneos.

Parte dos profissionais presentes já atua em projetos integrados há anos. Assim, compartilharam uma visão em comum sobre a necessidade de cidades mais ordenadas, planejadas e equilibradas.

Além disso, participaram também do encontro as arquitetas Patrícia Rodrigues, Lúcia Fernandez, Adeltraut Zoschke Schappo, Ana Eliza Moraes, Jamile Canha, Alice Fernandez Zambrano e Angela Liz Alexandre.

ODS e planejamento urbano sustentável encerraram o encontro

Ao final da imersão, Patrícia Rodrigues reuniu integrantes da equipe HARA, representantes do SINDUSCON e profissionais ligados à CONDOCASA para apresentar novas diretrizes relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco em “Cidades Ordenadas”.

Portanto, a iniciativa reforçou a importância do planejamento urbano, da integração multidisciplinar e da construção de cidades mais conscientes e preparadas para os desafios futuros.

Por fim, os participantes também destacaram que as discussões iniciadas no encontro devem continuar em novas imersões e conexões técnicas voltadas à inovação, sustentabilidade, valorização imobiliária e qualidade de vida urbana.

O encontro consolidou uma reflexão cada vez mais presente no setor: o futuro das cidades depende não apenas da velocidade da construção, mas da capacidade de criar espaços vivos, humanos e conectados à natureza.

Lanume Weiss