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Fachadas – Quais os principais problemas?

Fachadas - quais os principais problemas?

Antes de mais nada, quando se fala em fachadas – quais os principais problemas? Dentre essas anomalias que acometem as fachadas estão as fissuras, infiltrações e os desplacamentos – que é quando ocorre a queda parcial ou total do revestimento da fachada.

Então, segundo a norma de desempenho, a vida útil mínima de projeto de uma fachada pastilhada é de 20 anos e de uma fachada com acabamento em pintura é de 8 anos. Ou seja, dentro desse período, em tese, a fachada deve apresentar um bom desempenho.

Manutenção preventiva

Por outro lado, o desempenho da fachada depende das manutenções adequadas e do bom uso. Havendo surgimento dos problemas citados acima (fissuras, infiltrações e desplacamentos) dentro desse período, deve haver uma investigação.

Justamente, é com a prevenção que pode-se evitar adversidades. De acordo com a engenheira civil Bruna Swiderski, “é através das inspeções prediais periódicas que se descobre os problemas”.

Porém, a inspeção predial só vai detectar essa anomalia, mas não vai investigar isso a fundo. Então, a partir do momento que é feita essa identificação, o síndico deve buscar uma equipe técnica especializada no diagnóstico de patologias construtivas.

Em suma, Bruna explica que “eles vão fazer os estudos, os ensaios necessários para diagnosticar o problema e propor o melhor tratamento”.

Quais são as tecnologias em relação a inspeções?

Atualmente, o que mais vem sendo utilizado nas inspeções de fachadas são os drones. Estes aparelhos tecnológicos facilitam a vida de quem realiza as inspeções, além de trazerem imagens com uma qualidade visual e definição muito boas.

Por isso, de acordo com Bruna, o principal fator é poupar tempo e gastos. Isto pode ocorrer quando o síndico resolver contratar empresa que realiza os serviços de inspeção com drones.

Ainda mais, “podemos citar outra tecnologia que está bombando no mercado agora que é a termografia infravermelha. Esta consiste em imagens com diferença de coloração devido a temperatura desigual”, explica.

Dessa forma, é possível identificar infiltrações, vazamentos e pontos de má aderência no revestimento, sem ter que quebrar uma parede ou fazer um ensaio mais destrutivo. Ou seja, com a termografia é viável descobrir exatamente qual é e onde está o problema.

Segundo Raphael Bedin Bueno, dono da empresa TerraCéu Drones, a inspeção de fachada com o drone é realizada com base na filmagem e, a partir dela, é possível detectar alguma patologia.

Como resultado, “os vídeos são repassados para um engenheiro ou para uma empresa especialista em inspeção de condomínios, que são responsáveis por fazer o laudo. Caso necessário, podemos fazer fotos em pontos específicos para uma melhor identificação das patologias”.

Assim também, o síndico de Florianópolis Flávio Rodrigues da Silva, realizou recentemente uma inspeção de fachada com o uso de drones.

Logo, sobre sua experiência, diz: “Nosso prédio tem dois blocos de nove andares. A qualidade das filmagens e fotos ficaram ótimas e o orçamento ficou em torno de R$ 600,00. Agora encaminhamos para o engenheiro realizar o laudo”. O síndico ainda diz que gostou do trabalho, recomenda a tecnologia e que isto lhe poupou tempo e gastos adicionais.

Quais são os problemas que motivam o desplacamento? O que fazer?

Certamente, segundo a engenheira civil Bruna, as causas que motivam o desplacamentos no plano inteiro de fachadas estão normalmente atreladas às falhas no processo executivo.

Enfatizou que, “o que pode gerar o desplacamento são as escolhas do traço inadequado da argamassa, materiais inadequados, aplicação num horário de sol poente, deixando a fachada bem quente, ou o contrário, muito fria, até mesmo o vento pode afetar”, disse.

Acresce que, a partir do momento que você identificou o motivo do desplacamento, a primeira orientação é realizar o ensaio de percussão, descobrindo assim se há outras pastilhas prestes a desplacar e causar risco aos moradores.

Ensaio de percussão e de arrancamento

A saber, o ensaio de percussão consiste num profissional alpinista capacitado trabalhando nas alturas, descendo em uma cadeirinha e martelando as pastilhas para identificar os pontos ocos, que mostram que o material está mal aderido. Após este ensaio, é transferido para um croqui, assim possibilitando quantificar as áreas que estão com esse problema.

Nesse sentido, outro ensaio recomendado pela engenheira é o de resistência, aderência e tração, mais comumente conhecido como ensaio de arrancamento.

De antemão, esse ensaio irá permitir a identificação de qual interface do revestimento está o problema, por exemplo, entre tijolo e reboco, ou entre a argamassa e as pastilhas, entre outros.Então, a partir disto, é feita uma proposta de intervenção.

Porém, “retirar a fachada inteira ou reparos pontuais?”, questiona Bruna. “Tudo depende da quantidade de pontos que foram identificados.

Afinal, se essa falta de aderência corresponde a uma área pequena, então compensa uma intervenção mais pontual, mas se for a respeito de uma área grande vale a pena tirar todo o revestimento e começar do zero”, explica.

A pastilha é uma boa opção para revestimento?

De fato, é sim! Porém, a engenheira afirma que tudo depende da execução. “Se feita da maneira correta, com projetos e materiais adequados, é uma opção melhor que a tintura. Assim como qualquer outro sistema de edificação, é muito importante, mesmo em uma reforma de fachada, a utilização de um projeto”.

Acima de tudo, o projeto de fachada irá contemplar o traço da argamassa, a espessura de cada camada, as técnicas que devem ser empregadas na execução, cores e horários específicos. Enfim, diversos controles que devem ser tomados para um bom revestimento”, diz a engenheira.

Contudo, nenhum problema é resolvido do dia para noite. Alguns síndicos descobrem o problema em estado avançado e querem uma solução imediata.

Por exemplo, a engenheira afirma que para ter uma boa solução é necessário fazer um estudo com ensaios para entender exatamente qual é o problema, como ele surgiu, por que ele surgiu e a evolução dele.

Naturalmente, tudo isso leva tempo, mas ela garante que essas medidas são essenciais para que o problema não volte a se repetir.

Rigorosamente falando, mais do que nunca, a engenharia e a arquitetura devem estar alinhadas. “A arquitetura moderna trouxe edifícios cada vez mais altos e mais belos. Do ponto da ótica da engenharia, quando se fala de fachadas – quais os principais problemas, é muito importante que esses conceitos estejam alinhados”.

Por isso, “é preciso prever a fachada de um edifício para que se adapte a movimentação estrutural que irá se desenvolver, devido aos ventos que influenciam muito na movimentação estrutural do edifício. O revestimento tem que suportar isso e é para isso que serve o projeto”, explica a engenheira Bruna.

Diferenças entre consultoria, inspeção e perícia

Primeiramente, a inspeção predial identifica os pontos que estão com problemas, o grau de risco e a prioridade dentro do plano da manutenção.

Já, a perícia descobre a causa/origem do problema. Por exemplo, se o edifício começa a apresentar problemas dentro do período de garantia e a construtora não quiser dar respaldo técnico, judicialmente pode-se acionar as indenizações, através dos problemas apresentados pela perícia.

Para esclarecer, conforme o problema diagnosticado, é com a consultoria que se oferece a proposta de tratamento. “Quando o cliente chega para mim pedindo um orçamento, primeiro eu peço que explique qual é o problema e a finalidade daquilo que ele precisa”, salientou ela.

Em conclusão, “cada serviço tem o custo e formas diferentes de se trabalhar. Por isso, gosto de entender o que o cliente quer, principalmente para fazer o trabalho correto”, finaliza a engenheira Bruna Swiderski.

Engenheira Civil Bruna Swideski

Bruna Swideski – Engenheira Civil

Lanume Weiss – Assessora de comunicação Condomeeting

Assista entrevista completa para o Condomeeting.

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