Poucas situações geram tanta preocupação para síndicos e moradores quanto elevadores parados no condomínio. Quando o equipamento deixa de funcionar, a rotina dos moradores muda rapidamente, principalmente em edifícios com apenas um elevador ou com pessoas que dependem do transporte vertical para acessar suas unidades.

Embora uma parada possa indicar uma falha no equipamento, nem sempre significa que o elevador “quebrou”. Sistemas de segurança podem identificar uma condição fora dos parâmetros e interromper o funcionamento até que o problema seja verificado.

Para Rodrigo Lameiras, especialista em transporte vertical e profissional com quase três décadas de experiência no mercado de elevadores, essa distinção ajuda a compreender por que determinados equipamentos interrompem a operação.

“O elevador parar ou quebrar é algo que pode acontecer com qualquer máquina. Toda vez que o elevador para, algum circuito de segurança ou alguma informação no sistema está indicando que existe um problema.”

Segundo o especialista, a prioridade diante de uma parada consiste em identificar a causa e restabelecer o funcionamento com segurança. Além disso, a tecnologia passou a desempenhar um papel importante nesse processo.

Elevadores conectados ampliam o monitoramento

A evolução tecnológica modificou a forma como as empresas acompanham o funcionamento dos elevadores. Atualmente, equipamentos compatíveis podem contar com sistemas de conexão remota capazes de monitorar informações do funcionamento.

Rodrigo explica que esse acompanhamento permite identificar determinadas falhas à distância e, em alguns casos, restabelecer o funcionamento sem o envio imediato de um técnico ao condomínio. “Em quase 40% dos casos, a gente consegue restabelecer o elevador sem sequer encaminhar um técnico para o local.”

O objetivo, nesse caso, não consiste apenas em reduzir o tempo de atendimento. O monitoramento também contribui para aumentar a disponibilidade do elevador, ou seja, o período em que o equipamento permanece em operação.

Além disso, quando a presença de um profissional no condomínio realmente se torna necessária, as informações coletadas pelo sistema podem ajudar o técnico a chegar ao local com uma indicação mais precisa sobre o possível problema.

“O próprio sistema já indica ao técnico o possível problema. Então, além de termos uma disponibilidade maior para o cliente, conseguimos fazer com que o técnico seja mais preciso na solução.”

O que acontece depois de uma queda de energia?

As interrupções no fornecimento de energia também representam uma preocupação frequente para os condomínios. Em períodos de chuvas intensas e outros eventos climáticos, esse tipo de ocorrência pode aumentar.

Nesse cenário, os sistemas conectados também podem auxiliar na retomada do funcionamento. Conforme Rodrigo, após o retorno da energia, a tecnologia consegue tentar restabelecer automaticamente o elevador em determinadas situações.

“Quando a energia volta, o sistema automaticamente tenta restabelecer o funcionamento do elevador. Temos tido um sucesso na casa dos 40%.”, explica o especialista.

A iniciativa busca diminuir o tempo em que o equipamento permanece indisponível e, consequentemente, reduzir os impactos de uma parada na rotina do condomínio.

Obras e mudanças exigem atenção aos elevadores

Outro momento que exige cuidados especiais acontece durante obras e processos de implantação ou mudança nos condomínios.

Materiais, pedras, poeira e outros resíduos podem atingir componentes do elevador e interferir no funcionamento. Um dos pontos citados pelo especialista envolve a soleira, região por onde ocorre o movimento das portas. “É extremamente importante que, toda vez que tiver uma obra, o condomínio garanta que não está caindo pedra em cima da soleira, que é onde corre a porta do elevador.”

De acordo com Rodrigo, uma parcela dos chamados relacionados a esse período envolve justamente sujeira e materiais acumulados na soleira.

Por isso, a prevenção depende também da comunicação entre condomínio, moradores, prestadores de serviço e empresa responsável pela manutenção.

Nesse sentido, orientar equipes de obra e proteger adequadamente o equipamento pode evitar ocorrências que, apesar de parecerem simples, provocam uma parada e exigem atendimento técnico.

Comunicação entre síndico e empresa ganha importância

A tecnologia resolve parte do desafio, mas a comunicação continua fundamental para a gestão dos elevadores.

Para Rodrigo, não basta contar com processos, ferramentas e equipes técnicas. As informações também precisam chegar a quem acompanha o equipamento no condomínio. “Não adianta a gente ter um processo como um todo se não deixar esse processo aberto para os nossos clientes.”

A partir dessa necessidade, a empresa apresentada pelo especialista desenvolveu uma plataforma de acompanhamento voltada à gestão condominial. O sistema reúne informações relacionadas à manutenção e aos chamados, permitindo que a sindicância acompanhe a situação dos equipamentos.

A ferramenta também pode facilitar o gerenciamento de diferentes condomínios por administradoras. Dessa forma, o gestor consegue visualizar equipamentos, verificar possíveis paradas, abrir chamados e acompanhar o andamento dos atendimentos.

Tecnologia pode aproximar síndicos e empresas

Para o mercado condominial, a criação de ferramentas de acompanhamento representa uma mudança na relação com os fornecedores de elevadores.

O síndico precisa administrar diferentes demandas ao mesmo tempo. Por isso, ter informações organizadas sobre manutenção de elevadores, chamados e funcionamento dos equipamentos pode facilitar a tomada de decisões.

Rodrigo também destaca que a empresa passou a considerar os comentários dos próprios clientes no desenvolvimento de soluções. “A gente precisa saber que também precisa ouvir o feedback para poder ter uma melhoria com os clientes.”

Essa aproximação ganha importância porque o síndico ocupa uma posição central na gestão do condomínio. Ele acompanha as ocorrências, recebe as reclamações dos moradores e precisa cobrar soluções dos fornecedores.

O futuro dos elevadores passa pela conectividade

Quando o assunto envolve o futuro dos elevadores em condomínios, a conectividade aparece como uma das principais tendências.

Sistemas de Internet das Coisas (IoT), monitoramento remoto e integração entre equipamentos já fazem parte de soluções disponíveis no mercado. Para Rodrigo, a maior disponibilidade proporcionada pela conexão representa um dos caminhos mais importantes para o setor.

“O que eu vejo nesse mercado, já há quase três décadas, é que o elevador conectado para dar maior disponibilidade é algo que precisamos oferecer ao cliente usando a tecnologia.” O especialista também aponta outra tendência: a integração dos elevadores com sistemas de entrega e robôs.

Robôs já começam a chegar aos condomínios

A automação das entregas representa uma das possibilidades para os edifícios residenciais. Tecnologias utilizadas em hospitais, por exemplo, já permitem a integração entre robôs e elevadores.

A ideia também começa a chegar aos condomínios residenciais. Em um cenário possível, o robô recebe a identificação do apartamento, chama o elevador, desloca-se até o andar e leva a encomenda até a porta do morador.

A tendência mostra como o elevador pode deixar de atuar somente como meio de transporte de pessoas e passar a integrar um ecossistema tecnológico mais amplo dentro dos condomínios.

Qualificação profissional continua essencial

Apesar do avanço da tecnologia, Rodrigo reforça que as pessoas continuam no centro da operação.

A manutenção de elevadores exige profissionais preparados para lidar com equipamentos cada vez mais tecnológicos. Por isso, a qualificação técnica também entra na estratégia das empresas do setor.

O especialista explica que a formação de novos profissionais passou por mudanças. Em vez de encaminhar imediatamente o técnico para uma unidade de atendimento, a empresa passou a dedicar um período específico à capacitação. “Ele fica dentro de um centro de treinamento, aprendendo tanto a teoria quanto a prática e o comportamento necessário para atender o elevador.”

Após essa etapa, o profissional ainda passa por um período acompanhado por outro técnico. A estratégia busca ampliar a preparação antes do atendimento independente.

Para Rodrigo, investir em pessoas e tecnologia representa uma combinação necessária para acompanhar as novas demandas dos condomínios.

Manutenção de elevadores também envolve segurança jurídica

A escolha da empresa responsável pela manutenção também merece atenção dos síndicos. Afinal, o elevador envolve segurança, manutenção preventiva, atendimento técnico e cumprimento de exigências aplicáveis ao equipamento e à operação.

Rodrigo destaca que a atuação de uma empresa nesse segmento precisa considerar, além da proposta comercial, aspectos relacionados à regularidade, segurança e conformidade. “Às vezes a gente olha o preço, mas, por trás de uma proposta comercial, precisa entender o que tem.”

Essa análise ajuda o condomínio a observar o conjunto do serviço contratado, e não somente o valor apresentado na proposta.

Elevadores multimarcas ampliam as possibilidades de manutenção

Outro ponto abordado na conversa envolve condomínios que possuem equipamentos de diferentes fabricantes.

Segundo Rodrigo, existem serviços de manutenção multimarcas, embora a cobertura dependa das tecnologias e dos equipamentos atendidos.

A análise individual do elevador permite verificar a disponibilidade de peças, tecnologia e conhecimento técnico necessários para cada modelo.

Por isso, antes de contratar uma empresa para a manutenção de um equipamento de outra marca, o condomínio precisa verificar quais modelos e tecnologias recebem atendimento e quais serviços integram o contrato.

Síndico precisa de informação para administrar melhor

A conversa com Rodrigo Lameiras mostra que a gestão dos elevadores envolve muito mais do que chamar um técnico quando o equipamento para.

Manutenção preventiva, conectividade, monitoramento remoto, qualificação profissional, comunicação e acompanhamento dos chamados fazem parte de uma gestão mais estruturada do transporte vertical.

Ao mesmo tempo, obras e mudanças exigem cuidados adicionais para evitar que sujeira e materiais interfiram no funcionamento dos equipamentos.

Para o especialista, o avanço tecnológico precisa caminhar junto com a preparação das pessoas e com uma comunicação mais próxima dos gestores condominiais. “O que nos cabe é garantir que a gente possa fazer a maior blindagem possível para o síndico ali na ponta.”

Com elevadores cada vez mais conectados, o futuro do transporte vertical nos condomínios tende a envolver mais monitoramento, integração e automação. Para síndicos e administradoras, acompanhar essa evolução também significa compreender melhor os equipamentos que fazem parte da rotina e da segurança dos moradores.