A acessibilidade em Balneário Camboriú envolve desafios que vão das calçadas e vias públicas até a estrutura dos edifícios residenciais. Para pessoas com deficiência (PCDs) e mobilidade reduzida, detalhes como rampas, trajetos sem obstáculos e acesso aos espaços comuns fazem diferença na autonomia e na qualidade de vida.

Nesse contexto, uma proposta apresentada na Câmara de Vereadores busca aproximar a população do poder público por meio da tecnologia. Ao mesmo tempo, um exemplo de adaptação em um condomínio da cidade mostra como iniciativas da gestão condominial também podem contribuir para tornar os edifícios mais acessíveis.

BC Mais Acessibilidade propõe mapa colaborativo no aplicativo municipal

O Projeto de Lei Ordinária nº 64/2026, de autoria do vereador Alessandro Teco, propõe a criação do módulo BC Mais Acessibilidade, integrado ao aplicativo oficial BC Digital. A iniciativa pretende facilitar a identificação de barreiras urbanas e ampliar a participação dos moradores na construção de uma cidade mais inclusiva.

Entre os recursos previstos está um mapa colaborativo de acessibilidade, no qual os usuários poderão avaliar calçadas, vias públicas e estabelecimentos com notas de uma a cinco estrelas. A avaliação consideraria aspectos como rampas, sinalização e condições de circulação.

Além disso, a ferramenta prevê um canal para registrar denúncias de barreiras urbanas e práticas discriminatórias, com proteção dos dados pessoais e garantia de sigilo. As solicitações seriam encaminhadas aos órgãos municipais responsáveis, e os usuários poderiam acompanhar o andamento pelo próprio aplicativo.

A proposta também inclui ferramentas de acessibilidade digital, como comandos de voz, alto contraste, ampliação de texto e leitura em Libras. Outro ponto é a integração com serviços públicos e programas sociais voltados às pessoas com deficiência.

O projeto também prevê um selo municipal “Estabelecimento Acessível” para locais públicos ou privados que mantenham média mínima de quatro estrelas por pelo menos 12 meses. A certificação poderá abrir caminho para prioridade em programas e incentivos relacionados à acessibilidade, conforme regulamentação.

Dessa forma, a proposta busca reunir informações, facilitar o registro de problemas e incentivar melhorias nos espaços públicos e privados. É importante destacar, porém, que essas funcionalidades constam no projeto de lei e dependem da implementação prevista pelo poder público.

Condomínio em Balneário Camboriú investe em elevador acessível

Enquanto a cidade discute formas de identificar e corrigir barreiras urbanas, um condomínio residencial de Balneário Camboriú já realizou uma adaptação para atender moradores com dificuldades de locomoção. O síndico Carlos Spillere relata que a iniciativa surgiu de uma necessidade concreta: o edifício já tinha dois moradores cadeirantes ou com mobilidade reduzida.

A proximidade com a praia, localizada a cerca de 80 metros do condomínio, também reforçava a importância de facilitar a circulação. Sem uma solução adequada, esses moradores enfrentavam limitações para entrar e sair do edifício com autonomia.

Inicialmente, a alternativa considerada envolvia a construção de uma escada. No entanto, o espaço disponível era insuficiente e a inclinação necessária ultrapassaria os parâmetros técnicos, além de comprometer a fachada e a entrada do prédio.

Diante dessas dificuldades, a administração buscou fornecedores e encontrou uma solução com um elevador adaptado para pessoas com mobilidade reduzida. O equipamento veio de uma empresa do Paraná e exigiu ajustes durante a instalação, inclusive na posição do motor.

A adaptação permitiu atender a uma demanda que já existia entre os moradores e ampliar as possibilidades de circulação no condomínio.

Acessibilidade também pode valorizar os imóveis

Na avaliação de Carlos Spillere, a instalação trouxe benefícios que vão além do atendimento aos moradores que precisavam do equipamento. Segundo o síndico, a melhoria também contribuiu para a valorização do edifício e despertou o interesse de pessoas que buscavam apartamentos para comprar ou alugar.

A mudança também acompanhou uma transformação no perfil dos moradores. O condomínio passou a receber mais pessoas aposentadas, que valorizam a facilidade de acesso e a possibilidade de manter a independência ao longo dos anos.

Esse exemplo evidencia um aspecto importante da acessibilidade em condomínios: as adaptações podem responder a necessidades atuais e, ao mesmo tempo, preparar o edifício para as diferentes fases da vida dos moradores.

Além disso, soluções acessíveis ampliam o público que consegue utilizar os espaços com segurança e autonomia. Por isso, vale considerar essas melhorias no planejamento das obras e das intervenções nas áreas comuns.

O que os condomínios podem fazer para melhorar a acessibilidade?

A experiência relatada por Spillere mostra que cada edifício precisa avaliar suas próprias condições estruturais antes de definir as intervenções. A solução adotada em um condomínio pode não funcionar da mesma forma em outro, já que fatores como espaço disponível, desníveis e características construtivas influenciam as possibilidades de adaptação.

Entre os pontos que merecem atenção na avaliação da acessibilidade condominial estão:

  • Entradas e circulações: verificar a presença de degraus, desníveis e obstáculos nos trajetos de acesso.
  • Rampas e elevadores: avaliar alternativas adequadas às características do edifício e às necessidades dos usuários.
  • Áreas comuns: garantir condições de circulação e acesso aos espaços compartilhados.
  • Planejamento das obras: buscar orientação técnica para avaliar a viabilidade das adaptações e atender às normas aplicáveis.
  • Participação dos moradores: ouvir quem enfrenta dificuldades de locomoção ajuda a identificar barreiras que poderiam passar despercebidas.

Nesse sentido, a atuação do síndico é importante para reconhecer demandas, organizar avaliações técnicas e levar propostas de melhoria à administração do condomínio.

Inclusão urbana depende de ações conjuntas

A proposta do BC Mais Acessibilidade e a adaptação realizada no condomínio apontam para duas frentes complementares. De um lado, o poder público pode ampliar os canais de participação e identificar problemas nas ruas, calçadas e estabelecimentos. De outro, condomínios e empresas também podem avaliar suas estruturas e buscar soluções para reduzir barreiras.

No caso de Balneário Camboriú, o projeto de lei propõe uma ferramenta digital para aproximar os cidadãos da gestão municipal. Já a experiência relatada por Carlos Spillere demonstra como uma necessidade identificada dentro de um edifício pode motivar uma mudança concreta.

Promover a acessibilidade significa ampliar as condições para que pessoas com deficiência e mobilidade reduzida circulem pela cidade, acessem os espaços e preservem sua autonomia. Para isso, tanto as políticas públicas quanto as iniciativas dos condomínios têm um papel importante na construção de ambientes mais inclusivos.

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