A sustentabilidade deixou de ser tendência e passou a ser uma necessidade real na gestão condominial. Cada vez mais, condomínios buscam soluções que aliem responsabilidade ambiental, eficiência operacional e redução de custos. Nesse cenário, o papel do síndico se torna decisivo, especialmente quando falamos em inovação, gestão de resíduos e eficiência energética.
O síndico profissional e CEO da Advanced, Rodrigo Lobo, destacou que o síndico moderno precisa assumir uma postura estratégica. Segundo ele, a sustentabilidade não pode mais ser tratada como um tema secundário nas assembleias.
“Hoje o síndico é o gestor, é quem direciona a administração durante o período em que está à frente do condomínio. Eu vejo uma deficiência muito grande quando a sustentabilidade não entra como pauta específica em assembleia”, afirma Rodrigo.
Além disso, ele reforça que práticas sustentáveis costumam ser vistas, equivocadamente, como supérfluas, quando, na realidade, impactam diretamente a gestão financeira e operacional do condomínio.
“Quando falamos de eficiência energética, gestão de consumo e conscientização coletiva, estamos falando de economia real. Isso precisa estar dentro do pacote da gestão condominial”, completa.
__________________________________________________________________________________________________
Talvez você tenha interesse:
- Responsabilidade civil do condomínio: quando ele responde por danos e prejuízos
- Transição entre síndicos: Erros que quebram condomínios
- O que define condomínios bem-sucedidos?
- Animais de suporte emocional em Condomínios
- Assembleia virtual em condomínios: quais são os requisitos para ser válida?
__________________________________________________________________________________________________
Sustentabilidade também gera economia para o condomínio
Outro ponto central abordado foi a relação direta entre sustentabilidade e redução de custos. De acordo com Rodrigo Lobo, medidas simples e bem planejadas podem gerar resultados expressivos no médio e longo prazo.
“As políticas que você adota — como lâmpadas de LED, sensores de presença, cisterna, água de reúso, placas de energia solar e coleta adequada de resíduos — impactam diretamente no bolso do condômino”, explica.
Portanto, não é possível separar o aspecto ambiental do econômico. Afinal, ambos caminham juntos e fortalecem a gestão como um todo.
Experiência do síndico profissional faz a diferença
Segundo Rodrigo, o síndico profissional carrega um diferencial importante: a vivência prática. Essa experiência permite identificar, então, com mais precisão, o que funciona e o que não funciona em cada realidade condominial.
“O síndico profissional já tem bagagem. Ele sabe o que dá certo, o que não dá e como aplicar isso em outros condomínios”, destaca.
Na Advanced, essa experiência se traduz em metodologia. Desse modo, Rodrigo explica que criou um checklist e um diagnóstico técnico aplicado logo no início da gestão.
“Eu faço um diagnóstico completo: verifico se há sistema de reúso, iluminação eficiente, sensores, energia solar. Onde existe conformidade, seguimos. Onde não existe, apresento como oportunidade de melhoria”, afirma.
Sustentabilidade como fator de valorização do empreendimento
Além da economia operacional, Rodrigo chama atenção para outro benefício importante: a valorização imobiliária. Afinal, condomínios que adotam práticas sustentáveis ganham destaque no mercado.
“Quando você fecha esse ciclo, cria métricas, processos e até certificações, o empreendimento passa a ter mais valor. As pessoas estão visualizando isso”, pontua.
Segundo ele, certificações ambientais e de qualidade funcionam como uma “chancela” que reforça a credibilidade do condomínio, especialmente no mercado corporativo e comercial.
Gestão de resíduos automatizada no Brasil
Um dos pontos altos da entrevista foi a apresentação do Parque da Cidade, em São Paulo, considerado um dos únicos complexos do Brasil com um sistema automatizado de gestão de resíduos por sucção a vácuo.
“É um sistema único no Brasil em empreendimentos. O lixo é descartado em cápsulas e levado automaticamente, por sucção, até o subsolo, onde um maquinário faz toda a triagem e compactação”, explica Rodrigo.
Por fim, o sistema, conhecido como lixo a vácuo, elimina o transporte manual de resíduos, melhora a salubridade e reduz riscos operacionais.
“Não existe contato humano com o lixo. Não há coleta manual, carrinhos ou acúmulo de resíduos nos andares. Isso melhora muito a higiene e a eficiência”, destaca.
Tecnologia, logística reversa e eficiência ambiental
No Parque da Cidade, os resíduos recicláveis e não recicláveis seguem fluxos diferentes desde a origem. Além disso, no subsolo, o material é compactado e destinado à logística reversa.
“O lixo sai supercompactado e segue direto para a reciclagem. É eficiência ambiental, operacional e também de imagem”, reforça Rodrigo.
Porém, apesar da complexidade do sistema, que exigiu treinamento internacional para operação, os resultados justificam o investimento.
Conclusão
Em conclusão, a experiência compartilhada por Rodrigo Lobo mostra que sustentabilidade não é custo, mas investimento. Quando bem planejadas, as ações sustentáveis promovem economia, valorização do patrimônio, eficiência operacional e melhor qualidade de vida.
“No fim, tudo depende da boa vontade do condômino e, principalmente, do compromisso do síndico”, conclui. Assim, fica claro que o futuro da gestão condominial passa, inevitavelmente, por práticas sustentáveis, inovação e uma atuação cada vez mais profissional.


Gestão de resíduos automatizada e eficiência energética