As dúvidas sobre instalações de carregadores para veículos elétricos em condomínios vêm crescendo, sobretudo com a ampliação do número de carros, motos e patinetes elétricos no mercado.
Para esclarecer o tema, a Condomeeting convidou o engenheiro eletricista Gilmar Otto, especialista em projetos de engenharia elétrica e consultor para prédios residenciais e comerciais.
Por que a instalação de carregadores preocupa os síndicos?
Segundo Gilmar, o crescimento dos veículos elétricos é inevitável. Muitos condomínios, porém, não estavam preparados para receber carregadores de alta potência. Diante disso, os síndicos se veem pressionados a fornecer infraestrutura, mas sem saber se há capacidade elétrica para suportar a demanda.
Em diversos casos, moradores chegam a puxar cabos diretamente de seus apartamentos, sem proteção adequada. Essa prática não só contraria normas técnicas, mas também traz riscos de sobrecarga e incêndio, além de complicar a responsabilidade em caso de danos.
- Tomada simples x carregador específico
Otto explica que o carregador de veículos não é apenas uma “tomadinha”. Dependendo da potência, pode chegar a 20 ou 30 kW, exigindo componentes adequados, como disjuntor, DR tipo A (antichoque) e DPS (para proteção contra surtos). - Distribuição no condomínio
A alimentação deve partir de um quadro específico do condomínio, nunca do apartamento. Assim, em situações de emergência, é mais simples interromper o fornecimento. A normativa mais recente proíbe que se puxe o cabo direto de cada unidade, evitando riscos e garantindo a gestão adequada do consumo.
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Análise de demanda e gerenciamento de carga
Uma das primeiras etapas é medir a demanda do condomínio. É necessário instalar um equipamento de monitoramento por cerca de sete dias, para verificar picos de consumo. “Se o prédio tiver energia sobrando, pode abrigar mais carregadores. Caso contrário, é preciso avaliar estratégias de gerenciamento de carga“, pontua o especialista.
Sistemas de gerenciamento permitem distribuir a energia entre múltiplas vagas. Podem, por exemplo, reduzir a potência quando vários carregadores funcionam ao mesmo tempo ou criar uma fila de abastecimento. Assim, mesmo com uma demanda limitada, mais moradores podem recarregar seus veículos.
Segurança, normas e responsabilidade
Há poucas décadas, não se imaginava a necessidade de carregar carros dentro de garagens. Por isso, muitas instalações antigas não atendem às novas normas, como a NBR 5410 (instalações elétricas) e a NBR 17049 (carregadores veiculares).
Além disso, a presença de boletim de medição e responsabilidade técnica (RT) é essencial para proteger os síndicos. Se não houver laudos, há risco de seguros negarem indenizações em casos de sinistro.
Até pouco tempo, os condomínios eram limitados a um único medidor de energia. Recentemente, porém, a concessionária autorizou a criação de medidores adicionais para atender exclusivamente a carregadores veiculares. “Essa nova política facilita o aumento da demanda contratada sem migrar o condomínio para o grupo tarifário A, que implicaria custos e transformadores maiores”, informa o eletricista.
Custos e planejamento de médio e longo prazo
Conforme Gilmar, cada condomínio precisa definir seu objetivo real antes de investir. Isso significa checar se há interesse em preparar infraestrutura para todos (o que demanda alto capital) ou simplesmente permitir que poucos moradores instalem pontos de recarga.
A partir daí, elabora-se um projeto que leve em conta a demanda, a quantidade de vagas e a potência de cada carregador.
Como proceder?
- Verificar a capacidade do prédio: uma análise de sete dias para identificar picos de consumo.
- Definir limites: avaliar quantos carregadores é possível suportar e com qual potência.
- Exigir laudos e RT: garantir que a instalação siga normas (NBR 5410, NBR 17049) e que haja proteção (DR tipo A, DPS etc.).
- Planejar a infraestrutura: considerar eletrocalhas, quadros elétricos e medidores adicionais.
- Gerenciamento de carga: optar por sistemas que distribuam a energia ou criem filas para recarga, evitando sobrecarga no prédio.
Em conclusão, a discussão sobre veículos elétricos em condomínios não se resume a instalar uma tomada. Envolve segurança, normas técnicas, gestão de demanda e responsabilidade legal do síndico.
Com a ajuda de engenheiros especializados e o uso de estratégias como medidores extras, sistemas de gerenciamento e infraestrutura de aterramento, é possível viabilizar esse novo modelo de mobilidade com tranquilidade e sem riscos.
O futuro aponta para a expansão dos veículos elétricos, e cabe a cada condomínio se preparar — de forma planejada e responsável — para garantir que a adoção dessas tecnologias seja uma vantagem, e não um problema.


Instalação de carregadores de veículos elétricos em Condomínios