Levantamento da ASBALC aponta que 91,7% dos condomínios já investiram em medidas preventivas contra vandalismo, mas quase metade dos síndicos afirma que as ações têm apenas eficácia parcial

Atos de vandalismo em lixeiras e áreas de armazenamento de resíduos deixaram de ser casos isolados e passaram a fazer parte da rotina de grande parte dos condomínios de Balneário Camboriú. É o que mostra uma pesquisa inédita realizada pela Associação dos Síndicos de Balneário Camboriú (ASBALC), que ouviu 73 síndicos da cidade para mapear a dimensão do problema, seus impactos e as alternativas para enfrentá-lo.

O levantamento aponta que 79,5% dos condomínios participantes já sofreram algum tipo de vandalismo nas áreas destinadas ao descarte de resíduos, evidenciando que o problema afeta a maioria dos empreendimentos do município.

Outro dado chama a atenção: entre os condomínios que registraram ocorrências, 67,2% convivem com esse tipo de situação pelo menos uma vez por mês, sendo que quase quatro em cada dez relatam episódios semanais ou quase diários.

Segundo a ASBALC, a pesquisa foi desenvolvida para dar voz aos síndicos, que convivem diariamente com o problema e acumulam prejuízos financeiros, dificuldades operacionais e reclamações dos moradores.

Condomínios já investem em prevenção, mas ações isoladas não resolvem

Os números mostram que os condomínios têm buscado soluções por conta própria. Segundo a pesquisa, 91,7% dos síndicos afirmam que já adotaram medidas preventivas, como instalação de câmeras de monitoramento, fechamento das áreas de resíduos, controle de acesso, mudanças nos horários de descarte e reforço na segurança.

Apesar disso, os resultados ainda são limitados. Apenas 44,3% consideram essas medidas totalmente eficazes, enquanto 47,1% avaliam que elas reduzem o problema apenas parcialmente.

Na avaliação da entidade, esse é um dos principais resultados do levantamento: embora os condomínios estejam investindo recursos próprios para minimizar os impactos, a complexidade da situação exige soluções que ultrapassam os limites da administração condominial.

Impactos do vandalismo vão além dos prejuízos materiais

A pesquisa mostra que o vandalismo afeta diretamente a rotina dos condomínios e a qualidade de vida dos moradores.

Entre as principais consequências apontadas pelos síndicos estão:

  • problemas de higiene e saúde pública (74,1%);
  • aumento da sensação de insegurança (69%);
  • reclamações frequentes dos moradores (63,8%);
  • crescimento dos custos condominiais (55,2%);
  • sobrecarga das equipes de limpeza e manutenção (53,4%);
  • mau cheiro nas áreas comuns (51,7%).

Além do espalhamento de lixo, os entrevistados também relataram danos às lixeiras, furto de materiais recicláveis, descarte irregular de resíduos e até utilização desses espaços para pernoite e necessidades fisiológicas.

Pesquisa aponta percepção dos síndicos sobre as causas

Ao serem questionados sobre quem estaria envolvido nas ocorrências, 74,1% dos síndicos apontaram pessoas em situação de rua, enquanto 19% atribuíram os episódios a catadores informais.

A ASBALC ressalta que os dados representam exclusivamente a percepção dos participantes da pesquisa e reforçam que o cenário evidencia a necessidade de fortalecimento de políticas públicas voltadas ao acolhimento social, saúde mental e atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Síndicos defendem atuação conjunta contra vandalismo

Quando perguntados sobre quais medidas poderiam contribuir para reduzir o problema, os participantes destacaram principalmente:

  • políticas públicas voltadas às pessoas em situação de rua (84,9%);
  • melhorias na coleta pública de resíduos (39,7%);
  • campanhas de conscientização da população (28,8%).

Para a ASBALC, o levantamento evidencia que os condomínios têm feito sua parte ao investir em prevenção, mas as ações isoladas não são suficientes para enfrentar um problema que envolve segurança urbana, saúde pública e assistência social.

A entidade defende uma atuação integrada entre Poder Executivo, Câmara de Vereadores, Ministério Público, forças de segurança, assistência social, empresas responsáveis pela coleta de resíduos e representantes do setor condominial.

“Quando um problema deixa de atingir apenas um condomínio e passa a afetar toda a cidade, sua solução também precisa da construção de toda a sociedade”, afirma a presidente da ASBALC, Sônia Novaes.

Pesquisa

O levantamento realizado pela Associação dos Síndicos de Balneário Camboriú (ASBALC) teve a adesão de 73 síndicos, do total de 360 cadastrados pela entidade. Entre os participantes estão síndicos moradores e síndicos profissionais, que representam condomínios de diferentes portes e bairros do município.

O objetivo foi compreender a incidência dos atos de vandalismo nas áreas de resíduos, seus impactos na gestão condominial e subsidiar o debate sobre soluções conjuntas para o problema.

Sônia Novaes Estácio | Presidente da ASBALC

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