Nesta semana, diversas cidades de Santa Catarina enfrentaram tempestades e rajadas de ventos muito fortes. Entre os municípios atingidos está Chapecó, onde foram registradas rajadas de até 126 km/h. Diante desse cenário, o episódio reforça um alerta importante: os condomínios precisam estar preparados para lidar com eventos climáticos extremos, que podem provocar destelhamentos, quedas de árvores, alagamentos, danos estruturais e interrupções no fornecimento de energia.

Além disso, o cenário climático exige atenção nos próximos meses. De acordo com a previsão da Epagri/Ciram, o El Niño permanece com intensidade muito forte e favorece a ocorrência de chuvas acima da média em Santa Catarina entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, especialmente na região Oeste. Da mesma forma, existe a possibilidade de tempestades com raios, granizo, ventos fortes e volumes elevados de chuva.

Embora o fenômeno deva começar a perder força a partir de março de 2027, seus efeitos ainda podem persistir, com menor intensidade, até o início do outono. Portanto, a prevenção precisa fazer parte da rotina da gestão condominial, e não ser adotada apenas quando há previsão de tempestade.

Por que os condomínios precisam se preparar para eventos climáticos extremos?

Os eventos climáticos extremos podem afetar diferentes estruturas e serviços de um condomínio. Enquanto as chuvas intensas aumentam o risco de infiltrações, alagamentos e problemas na drenagem, os ventos fortes, por sua vez, podem danificar telhados, fachadas, coberturas, árvores e equipamentos instalados em áreas externas.

Além dos prejuízos materiais, essas ocorrências também podem comprometer a segurança dos moradores e funcionários. Como consequência, elevadores podem ficar indisponíveis, garagens subterrâneas podem alagar, portões eletrônicos podem parar de funcionar e áreas comuns podem se tornar perigosas.

Por esse motivo, preparar condomínios para tempestades exige uma combinação de manutenção preventiva, planejamento, comunicação e capacidade de resposta a emergências.

1. Revise telhados, fachadas e estruturas externas

Antes da chegada dos períodos de maior instabilidade, é fundamental verificar as condições das estruturas expostas ao vento e à chuva.

Nesse sentido, telhas soltas ou danificadas, rufos comprometidos, calhas obstruídas e coberturas mal fixadas podem provocar infiltrações e até acidentes durante tempestades.

Além disso, o síndico deve providenciar inspeções em:

  • Telhados, calhas, rufos e condutores de água pluvial;
  • Fachadas, revestimentos e elementos que possam se desprender;
  • Janelas, esquadrias e portas de vidro das áreas comuns;
  • Coberturas de policarbonato, toldos e pergolados;
  • Antenas, placas, letreiros e equipamentos instalados em áreas expostas;
  • Muros, grades, portões e estruturas de fechamento.

Outro cuidado importante é verificar se objetos e equipamentos instalados em coberturas e áreas técnicas estão devidamente fixados. Afinal, durante situações de ventania, até mesmo itens aparentemente pequenos podem se transformar em objetos perigosos.

Por fim, quando houver sinais de trincas, desprendimentos ou comprometimento estrutural, a avaliação deve ser realizada por profissional habilitado. Assim, o condomínio evita aguardar a ocorrência de um temporal para investigar esses problemas.

2. Garanta o funcionamento dos sistemas de drenagem

As chuvas intensas podem provocar alagamentos em poucos minutos, principalmente quando os sistemas de escoamento estão obstruídos ou não conseguem suportar grandes volumes de água.

Por isso, a manutenção da drenagem deve receber atenção especial.

Para começar, o condomínio precisa verificar regularmente:

  • Ralos e grelhas das áreas comuns;
  • Canaletas e caixas de passagem;
  • Caixas de inspeção e sistemas de escoamento;
  • Calhas e condutores pluviais;
  • Sistemas de drenagem de jardins e áreas externas;
  • Pontos de acúmulo de água nas garagens e rampas.

Além da limpeza, também é importante observar se a água está escoando corretamente. Isso porque um ralo aparentemente desobstruído pode não ser suficiente quando há problemas na tubulação ou na capacidade de vazão do sistema.

Uma dica importante, nesse contexto, é mapear os pontos onde a água costuma se acumular. Se determinada garagem, rampa ou área comum apresenta histórico de alagamento, o condomínio deve avaliar soluções específicas, como melhorias na drenagem, instalação de barreiras adequadas ou revisão do sistema de bombeamento.

Dessa maneira, a gestão consegue antecipar problemas recorrentes e direcionar os investimentos para os locais que realmente precisam de atenção.

3. Teste bombas de drenagem, geradores e sistemas de emergência

Em condomínios com garagens subterrâneas, subsolos ou áreas abaixo do nível da rua, as bombas de drenagem são equipamentos essenciais.

Entretanto, não basta verificar se estão instaladas: é necessário testar periodicamente seu funcionamento, avaliar as condições de manutenção e confirmar se possuem capacidade adequada para atender à demanda.

Outro ponto importante é a disponibilidade de energia durante temporais. Afinal, quedas no fornecimento elétrico podem comprometer o funcionamento de bombas, portões, sistemas de comunicação e outros equipamentos.

Por esse motivo, o síndico deve:

  • Testar as bombas de drenagem e seus acionamentos automáticos;
  • Verificar a existência de gerador ou sistema de energia de emergência;
  • Avaliar a autonomia dos equipamentos essenciais;
  • Conferir o funcionamento de nobreaks e baterias;
  • Manter contratos de manutenção atualizados;
  • Garantir que os equipamentos estejam protegidos contra infiltrações e alagamentos.

Além disso, é importante verificar se o gerador está instalado em local seguro, ventilado e protegido contra a entrada de água. Seu funcionamento, por sua vez, deve seguir as orientações técnicas do fabricante e as normas aplicáveis.

4. Faça a avaliação das árvores e da vegetação

Durante tempestades, árvores e galhos podem cair sobre veículos, fachadas, muros, redes elétricas e áreas de circulação.

Diante desse risco, a manutenção dos jardins também precisa integrar o planejamento preventivo do condomínio.

Para isso, é recomendável solicitar a avaliação de um profissional habilitado para identificar árvores com galhos comprometidos, raízes expostas, inclinação excessiva ou sinais de deterioração.

Além desse cuidado, o condomínio deve observar:

  • Galhos próximos às fachadas, janelas e telhados;
  • Árvores localizadas perto de estacionamentos e áreas de circulação;
  • Vegetação que possa obstruir calhas e ralos;
  • Vasos e jardineiras que possam tombar com o vento;
  • Estruturas de paisagismo que precisem de fixação.

Vale destacar, entretanto, que podas e remoções devem respeitar as regras ambientais e municipais. Quando houver proximidade com a rede elétrica, o serviço precisa ser tratado com a concessionária ou equipe autorizada.

5. Proteja elevadores, equipamentos elétricos e áreas técnicas

Um aspecto que muitas vezes passa despercebido na preparação para tempestades é a proteção dos equipamentos essenciais do condomínio.

Isso porque a entrada de água em casas de máquinas, quadros elétricos, centrais de comunicação e sistemas de automação pode provocar danos significativos e deixar serviços importantes indisponíveis.

Por isso, vale verificar se:

  • Casas de máquinas e salas técnicas apresentam sinais de infiltração;
  • Quadros elétricos estão protegidos contra umidade;
  • Portões automáticos possuem procedimento de operação em caso de falta de energia;
  • Sistemas de câmeras e controle de acesso contam com alimentação de emergência;
  • Equipamentos instalados em áreas externas estão devidamente protegidos.

Além dessas medidas, também é importante estabelecer um procedimento para os elevadores. Em caso de alagamento ou risco de entrada de água, a operação deve seguir as orientações da empresa responsável pela manutenção e as instruções de segurança aplicáveis.

Da mesma forma, durante tempestades com risco de inundação, os moradores devem ser orientados a não utilizar elevadores em situações de emergência ou quando houver suspeita de comprometimento do equipamento.

6. Crie um plano de emergência para tempestades

Embora a manutenção preventiva reduza riscos, ela não elimina a possibilidade de ocorrências. Por essa razão, todo condomínio deve ter um plano de emergência que estabeleça como agir antes, durante e depois de um evento climático extremo.

Inicialmente, o condomínio deve realizar um mapeamento dos pontos vulneráveis do empreendimento, identificando áreas que podem sofrer alagamentos, quedas de objetos, infiltrações ou interrupções de serviços.

Em seguida, é necessário definir responsabilidades.

Por exemplo:

  • Quem acompanha os alertas meteorológicos?
  • Quem comunica os moradores?
  • Quem aciona a empresa de manutenção?
  • Quem verifica as áreas comuns após o temporal?
  • Quem entra em contato com a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros?
  • Quem registra os danos e acompanha os reparos?

Além disso, essas informações devem estar disponíveis para o síndico, subsíndico, zelador e demais funcionários responsáveis.

Outro cuidado é manter uma lista atualizada de contatos de emergência, incluindo:

  • Defesa Civil: 199;
  • Corpo de Bombeiros: 193;
  • Concessionária de energia elétrica;
  • Empresa responsável pelos elevadores;
  • Manutenção de bombas e sistemas elétricos;
  • Prestadores de serviços de telhados, drenagem e estruturas.

Dessa forma, o condomínio evita improvisos justamente nos momentos em que uma resposta rápida é mais importante.

7. Oriente os moradores antes da chegada dos temporais

A segurança do condomínio também depende da colaboração dos moradores. Por isso, a comunicação preventiva deve fazer parte da rotina do síndico.

Sempre que houver previsão de ventos fortes, granizo ou chuvas intensas, é importante enviar orientações pelos canais oficiais do empreendimento.

Entre as principais recomendações estão:

  • Recolher vasos, cadeiras, enfeites e outros objetos soltos das varandas;
  • Fechar portas e janelas;
  • Evitar deixar objetos em parapeitos e áreas externas;
  • Recolher toldos e ombrelones, quando houver orientação do fabricante;
  • Não estacionar veículos próximos a árvores com sinais de risco;
  • Evitar circular em áreas externas durante rajadas intensas;
  • Manter distância de janelas e superfícies de vidro durante tempestades.

Além disso, os moradores devem ser orientados a não tocar em fios caídos, não se aproximar de árvores atingidas por raios e não atravessar áreas alagadas.

Uma medida simples, mas bastante eficiente, é deixar mensagens preventivas prontas para serem enviadas sempre que a Defesa Civil emitir alertas para a região. Assim, a administração consegue comunicar os riscos com rapidez e clareza.

8. Tenha um plano específico para garagens subterrâneas

As garagens subterrâneas merecem atenção especial, pois podem acumular grandes volumes de água em pouco tempo e representar risco à vida.

Além da manutenção das bombas e dos sistemas de drenagem, o condomínio deve estabelecer critérios claros para situações de risco de alagamento.

Entre as medidas possíveis estão:

  • Instalar sensores ou alarmes de nível de água em pontos vulneráveis;
  • Avaliar a necessidade de barreiras contra a entrada de água nas rampas;
  • Manter as rotas de escoamento desobstruídas;
  • Definir como será feita a comunicação em caso de risco;
  • Identificar locais seguros para os equipamentos de emergência;
  • Estabelecer procedimentos para restringir o acesso à garagem.

Entretanto, um cuidado essencial precisa ser reforçado: não se deve orientar moradores ou funcionários a entrar em uma garagem que já esteja alagando para retirar veículos. Isso porque a entrada de água pode ocorrer rapidamente, e a correnteza, a baixa visibilidade e os riscos elétricos tornam a situação extremamente perigosa.

Portanto, se houver risco iminente, a prioridade deve ser a proteção das pessoas. A retirada de veículos só deve ser considerada quando houver condições efetivamente seguras e orientação adequada.

9. Verifique o seguro do condomínio e organize os registros

Outro cuidado que costuma ser lembrado apenas depois de um temporal é a verificação do seguro condominial.

Nesse sentido, o síndico deve conhecer as coberturas contratadas, os riscos excluídos, os limites de indenização e os procedimentos para comunicar sinistros.

Além disso, é recomendável manter registros atualizados das condições do empreendimento, incluindo:

  • Fotografias de fachadas, telhados e áreas comuns;
  • Relatórios de inspeção e manutenção;
  • Notas fiscais e comprovantes de serviços;
  • Laudos e documentos técnicos;
  • Registros de ocorrências anteriores;
  • Apólice e contatos da seguradora.

Esses documentos ajudam a demonstrar as condições de conservação do condomínio e, consequentemente, podem facilitar a avaliação de eventuais danos.

Por outro lado, é importante verificar se a apólice contempla coberturas adequadas para os riscos aos quais o empreendimento está exposto. Afinal, a existência de seguro não substitui a manutenção preventiva nem garante cobertura automática para qualquer evento climático.

10. Saiba o que fazer durante e depois de uma tempestade

Por fim, ter um plano de emergência também significa saber quando interromper atividades e evitar atitudes que possam agravar a situação.

Durante a tempestade:

  • Acompanhe os alertas oficiais da Defesa Civil;
  • Oriente os moradores a permanecerem em locais seguros;
  • Restrinja o acesso a áreas externas com risco de queda de objetos;
  • Não permita circulação em áreas alagadas;
  • Evite intervenções elétricas improvisadas;
  • Acione os serviços de emergência quando necessário.

Depois da tempestade:

  • Faça uma vistoria visual das áreas comuns, sem acessar locais que apresentem risco;
  • Verifique possíveis infiltrações, danos em telhados e quedas de árvores;
  • Isole áreas com fios expostos, estruturas comprometidas ou risco de desabamento;
  • Solicite avaliação técnica quando houver suspeita de danos estruturais ou elétricos;
  • Registre os prejuízos com fotografias e documentos;
  • Comunique a seguradora dentro dos prazos e procedimentos previstos na apólice;
  • Informe os moradores sobre os danos e as medidas adotadas.

Além disso, é importante lembrar que a ausência de danos aparentes não significa que todos os sistemas estejam funcionando normalmente. Por isso, equipamentos elétricos, elevadores, bombas e estruturas atingidas devem ser avaliados por profissionais responsáveis antes de serem liberados, quando houver suspeita de comprometimento.

Preparação para eventos climáticos extremos deve fazer parte da gestão condominial

Diante dos temporais registrados em Santa Catarina, fica evidente que a preparação dos condomínios precisa ser contínua. Afinal, com a previsão de chuvas acima da média e a atuação do El Niño nos próximos meses, síndicos e administradoras devem antecipar inspeções, revisar procedimentos e orientar os moradores.

Mais do que resolver problemas depois que eles acontecem, a gestão preventiva permite identificar vulnerabilidades, reduzir prejuízos e proteger vidas.

Portanto, preparar condomínios para tempestades exige planejamento, manutenção periódica, comunicação eficiente e um plano de emergência conhecido por todos os envolvidos.

Afinal, quando um evento climático extremo acontece, a diferença entre uma ocorrência controlada e uma situação de grandes prejuízos pode estar nas medidas adotadas antes da chegada da tempestade.

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